O planeamento que ninguém faz: o que vais parar de fazer este ano?
- Rita Maria Nunes
- há 3 dias
- 2 min de leitura
Todos os anos, quando se fala em planeamento, a conversa gira à volta do que vai ser feito: novos projetos, novas ideias, novas apostas. Crescer, expandir, acrescentar.
Quase nunca se fala do oposto. E devia.
Um dos exercícios mais difíceis, e mais transformadores, que faço com empresários é este: O que é que vais parar de fazer este ano?
O silêncio que se segue é sempre revelador.
Parar é visto como fracasso. Como desistência. Como perda. Mas, na realidade, parar é uma decisão estratégica de alto nível. É maturidade empresarial. É respeito pelos limites do negócio e pelos limites humanos das suas equipas e liderança.
A maioria dos negócios não sofre por falta de ideias. Sofre por excesso delas. Por acumulação de iniciativas que nunca foram revistas. Projetos que fizeram sentido num contexto antigo, mas que continuam ativos por inércia. Clientes mantidos por hábito. Serviços mantidos por apego emocional.
Tudo isso consome recursos: tempo, energia, dinheiro, atenção… E este é um custo que não aparece numa linha clara da contabilidade, mas aparece no cansaço crónico, na falta de foco, na dificuldade em crescer com solidez.
Planear não é só escolher onde investir. É escolher onde deixar de investir!
Sempre que um empresário me diz que está exausto, faço-lhe apenas uma pergunta: se tivesses de eliminar 20% do que fazes hoje, como seria a tua empresa?
A resposta costuma apontar exatamente para o que devia ter sido revisto há muito tempo.
Parar não é andar para trás. É abrir espaço. Espaço para o que realmente importa. Espaço para decisões melhores. Espaço para crescimento sustentável. Espaço para respirar, e pensar.
O planeamento que ninguém faz é este: o da eliminação consciente. E é, muitas vezes, o que mais impacto tem.
— Rita Maria Nunes
